A passagem do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus para esse dia, aborda temas fundamentais da vida cristã: o discipulado (seguimento de Jesus), a coragem diante do medo e a importância do testemunho. Ao refletirmos sobre esse texto, especialmente no contexto da solenidade de São Bento, podemos encontrar paralelos significativos entre a mensagem do Evangelho e a vida e ensinamentos de São Bento. São lições para nossa vida do dia a dia.
Jesus fala aos seus discípulos sobre as dificuldades que podem enfrentar ao segui-lo. Ele inicia afirmando que “o discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor”. Essa declaração nos lembra que os seguidores de Cristo devem estar preparados para enfrentar perseguições e dificuldades semelhantes às que Jesus mesmo enfrentou.
Jesus também menciona a importância de não temer aqueles que podem causar dano ao corpo, mas sim ter temor a Deus, que tem poder sobre a alma. Essa é uma chamada à fé e à coragem, um convite a manter a integridade diante das adversidades, sabendo que Deus está no controle de todas as coisas. Jesus quer tirar nosso medo da morte e de tudo o mais.
A vida de um discípulo (a) é marcada por um compromisso profundo, que muitas vezes exige sacrifícios. O chamado de Jesus vai além da devoção ou do simples seguimento; é uma convocação para ser testemunha do amor e da verdade, mesmo em face da oposição. Nesse sentido, podemos ver em São Bento um exemplo de compromisso com a sua vocação, que também envolveu desafios significativos, bem como perseguições.
São Bento, considerado o pai dos monges, do monaquismo ocidental, fundou a Ordem de São Bento e estabeleceu uma regra que enfatiza a oração, o trabalho e a vida comunitária. Sua Regra traz um equilíbrio entre a vida espiritual e a vida comunitária, refletindo o ensinamento de Jesus sobre a importância da união e do apoio mútuo entre os discípulos.
Assim como Jesus orienta os discípulos a não temerem, São Bento também nos ensina a enfrentar as dificuldades da vida com fé e resiliência. Ele nos ensina a nunca nos desesperarmos da misericórdia de Deus!
Como seria bom se em nossas famílias adotássemos a regra de S. Bento: vida comunitária, tomando refeições juntos, conversando mais e usando menos os aparelhos eletrônicos, descansando juntos. As famílias valorizariam mais o estarem juntos, a partilha da vida, a oração em comum…enfim seriam “Igreja doméstica” como propõe o Concílio Vaticano II.
A busca pela paz e pela estabilidade, que é central na Regra de São Bento, encontra eco na mensagem de Jesus nesse trecho de São Mateus. A paz que ele oferece não é a ausência de conflitos, mas a presença de Deus nas tribulações.
A passagem de São Mateus conclui com um chamado ao testemunho público da fé: “Todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus”. Isso nos lembra da importância de viver a nossa fé de maneira autêntica e corajosa em todas as circunstâncias.
São Bento não apenas buscou a santidade pessoal, mas também estabeleceu uma comunidade que se dedicava ao serviço a Deus e ao próximo, orando e trabalhando! Sua vida é um testemunho de que é possível viver o Evangelho em um mundo que muitas vezes não compreende ou valoriza essa mensagem.
Neste dia em que celebramos a solenidade de São Bento, padroeiro desta paróquia, somos convidados a renovar nossa adesão a Jesus “nada antepondo ao seu amor”.
Assim como os primeiros discípulos e São Bento, somos chamados a viver com coragem, a não temer as adversidades e a sermos testemunhas da fé em um mundo que precisa do amor de Cristo. Que precisa de pessoas capazes de construir a “Civilização do Amor” como escreve o papa Leão XIV, na encíclica Magnifica Humanitas.
São Bento interceda por esta paróquia, por seu pároco e por todos nós. AMÉM.
