Diocese de Santo André

Pastoral Familiar aprofunda o lugar da família no 9º Plano Diocesano

Na noite de 30 de junho, mais de 130 pessoas se reuniram no Auditório Dom Jorge Marcos de Oliveira, no Edifício Santo André Apóstolo, na Cúria Diocesana, para o encontro “A importância da família no 9º Plano Diocesano”. A formação reuniu agentes da Pastoral Familiar e de outras frentes pastorais para aprofundar uma das prioridades assumidas pela Diocese de Santo André para os próximos anos: o cuidado integral com as famílias.

Logo no início, os participantes foram acolhidos com uma vela, sinal do chamado a levar a luz de Cristo para as casas, comunidades e realidades onde a vida acontece. A proposta da noite foi justamente essa: compreender que a família, no 9º Plano Diocesano de Pastoral, não aparece como responsabilidade de um único grupo, mas como missão que atravessa toda a ação evangelizadora da Igreja.

A primeira reflexão foi conduzida pelo Padre Everton Gonçalves Costa, Vigário Episcopal para a Pastoral, que apresentou o sentido do 9º Plano Diocesano de Pastoral e retomou as três prioridades escolhidas pela Assembleia Diocesana: Pastoral de Conjunto, juventudes e família. Ele explicou que o Plano nasce de um processo de escuta das paróquias e da realidade do Grande ABC, ajudando a Diocese a caminhar com unidade e direção comum.

Ao falar sobre a Pastoral de Conjunto, Padre Everton recordou que ela não é uma nova pastoral a ser criada nas paróquias, mas uma forma de compreender a missão da Igreja. Segundo ele, é preciso vencer a tentação de trabalhar de maneira isolada ou em disputa por agentes. “Nós não dividimos a missão, nós partilhamos as tarefas”, afirmou, ao lembrar que a evangelização precisa ser articulada entre pastorais, setores, movimentos e comunidades.

Padre Everton também chamou a atenção para a necessidade de olhar para as famílias concretas, com suas alegrias, fragilidades, feridas e desafios. Ele recordou que a Igreja possui um ideal de família, iluminado pela Palavra de Deus e pela Sagrada Família de Nazaré, mas que a ação pastoral precisa alcançar as famílias reais. “A gente tem um ideal de família, mas a gente não trabalha com famílias ideais, trabalha com famílias reais”, disse.

Na reflexão, o vigário episcopal para a Pastoral apresentou alguns desafios que atingem diretamente a vida familiar, como o individualismo, o consumismo, a violência, a fragilidade dos vínculos e a dificuldade de diálogo. Para ele, acompanhar as famílias exige acolhimento, discernimento e integração, sem perder a verdade do Evangelho, mas também sem fechar portas. “A família é um santuário. A gente tem que entrar com respeito, com cuidado, com carinho, com atenção”, afirmou.

Outro ponto forte da fala foi a integração entre Pastoral Familiar, Catequese, Setor Vida e Família, juventudes, pastorais sociais e demais serviços da comunidade. Padre Everton lembrou que muitas vezes a evangelização precisa perceber sinais concretos da vida das pessoas, inclusive situações de sofrimento e necessidade material. “Ninguém reza bem com a barriga roncando de fome”, disse, ao reforçar que a Pastoral de Conjunto ajuda cada serviço a oferecer aquilo que lhe é próprio, sem sobrecarregar uma única pastoral.

Na sequência, Wilson, que junto com Tina coordena a Pastoral Familiar na Sub-Região São Paulo, trouxe uma reflexão prática sobre o papel da Pastoral Familiar na evangelização das famílias. Ele recordou que a família cristã é chamada a ser comunidade evangelizadora, onde todos evangelizam e também são evangelizados. “Evangelizar é preciso conhecer Jesus”, afirmou, ao lembrar que o anúncio começa dentro da própria casa, na vida cotidiana e no testemunho.

Wilson também falou sobre a importância de uma Pastoral Familiar organizada, formativa e presente nas diferentes fases da vida. Ele apresentou experiências de acompanhamento pré-matrimonial, visitas às famílias, catequese familiar e trabalhos realizados em parceria com outras pastorais. Para ele, a Pastoral Familiar tem uma vocação profundamente integrada. “Quem sabe fazer bem Pastoral de Conjunto é a Pastoral Familiar, porque ela está em todos os lugares”, disse.

O encontro também expressou, na prática, o que foi refletido durante a noite. O Espaço Kids acolheu as crianças enquanto os pais e responsáveis participavam da formação, mostrando que cuidar das famílias passa também por criar condições para que elas estejam presentes na vida da Igreja. A iniciativa foi um sinal simples e concreto de Pastoral de Conjunto, com agentes se colocando a serviço para que outros pudessem viver melhor aquele momento.

Ao final, Tatiane e Renato, coordenadores diocesanos da Pastoral Familiar, agradeceram a presença dos participantes e reforçaram que a caminhada terá continuidade. Eles lembraram que as formações seguirão a cada dois meses e que o objetivo é ajudar as paróquias a estudar o 9º Plano, dialogar com outras pastorais e compreender melhor as necessidades de cada comunidade.

Tatiane também recordou que o trabalho da Pastoral Familiar precisa ser feito com organização, estudo e vida de oração. “A gente não dá aquilo que não tem”, afirmou, ao incentivar os agentes a se formarem continuamente. Ela também ressaltou que a Pastoral Familiar deve seguir o caminho indicado pelo Guia de Implantação e pelos documentos da Igreja, sem improvisos, mas com zelo, espiritualidade e comunhão.

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