Diocese de Santo André

Com o lema “Eu não tenho onde morar”, Semana do Migrante reflete sobre dignidade e acolhida

Entre os dias 14 e 21 de junho, a Diocese de Santo André viveu a 41ª Semana do Migrante, conduzida pelo tema “Migração e Moradia” e pelo lema “Eu não tenho onde morar”. A programação reuniu celebrações e formação, convidando as comunidades a olharem com mais atenção para a realidade de migrantes, refugiados e pessoas empobrecidas que ainda enfrentam dificuldades para alcançar uma moradia digna, segura e tranquila.

A Missa de Abertura foi celebrada no dia 14 de junho, às 11h, na Catedral Nossa Senhora do Carmo, em Santo André. Na liturgia, a presença de diferentes idiomas ajudou a expressar a beleza de uma Igreja formada por muitos povos e culturas. Márcia, argentina, proclamou a primeira leitura em espanhol, enquanto Henry Prucien, haitiano, proclamou a segunda leitura em francês.

A homilia foi conduzida pelo assessor eclesiástico da Pastoral do Migrante, Pe. Rafael Adriano da Silva, CS, que também fez a reflexão na Missa de Encerramento. Na abertura, ele recordou que a Semana do Migrante nasce como um chamado à conversão pessoal, comunitária e social.

“Diante do drama vivenciado por milhares de migrantes, refugiados e pessoas empobrecidas, somos chamados e chamadas a sermos sinais de esperança, diálogo e acolhida diante daqueles que não possuem uma moradia digna”, afirmou Pe. Rafael.

Ao refletir sobre o lema “Eu não tenho onde morar”, o sacerdote lembrou que este grito atravessa a história do povo de Deus e também toca a vida de Jesus. “Este lema nos recorda o sofrimento do povo escravizado no Egito. É o grito de Jesus Cristo, que muitas vezes não tinha onde reclinar a cabeça”, disse.

Pe. Rafael também relacionou o Evangelho à realidade de tantas pessoas que seguem cansadas e abatidas pelas desigualdades sociais, pela violência, pelo ódio e pela indiferença. Para ele, a resposta cristã passa pela compaixão concreta, capaz de transformar famílias, comunidades e a sociedade.

“Celebrar a Semana do Migrante é aceitar o chamado à conversão pessoal, comunitária e social”, afirmou. Em seguida, convidou os fiéis a renovarem a fé no Cristo Peregrino, “aquele que assumiu nossa humanidade e veio habitar entre nós”.

A programação continuou no dia 17 de junho, às 20h, na Basílica Menor Nossa Senhora da Boa Viagem, em São Bernardo do Campo, com a formação “Migração e Moradia”, conduzida pelo teólogo Wellington Barros. O encontro aprofundou o tema da Semana e ajudou a comunidade a compreender melhor os desafios enfrentados por migrantes e refugiados, especialmente no acesso à habitação e às condições básicas de vida.

O encerramento aconteceu no dia 21 de junho, às 10h30, também na Basílica Menor Nossa Senhora da Boa Viagem. Mais uma vez, a liturgia expressou a comunhão entre povos: as leituras foram proclamadas em inglês e italiano, o salmo em espanhol e o Evangelho em português. Foi um gesto simples, mas cheio de sentido, mostrando que a fé aproxima histórias, sotaques e caminhos diferentes.

Na homilia de encerramento, Pe. Rafael provocou a assembleia a reconhecer a própria história migrante. Ao perguntar quem havia nascido em São Bernardo do Campo, quem vinha de outras cidades, estados ou países, levou os fiéis a perceberem que muitos ali também carregavam, direta ou indiretamente, uma história de deslocamento.

“Somos migrantes, somos diferentes, viemos de culturas diferentes, porém estamos unidos numa mesma fé”, afirmou o sacerdote. Ele completou dizendo que as diferenças não devem tornar ninguém superior ou inferior, mas precisam ser acolhidas como riqueza, partilha, esperança, dignidade e justiça.

Pe. Rafael também recordou que o próprio Cristo viveu a experiência da migração. “Jesus Cristo conheceu na carne a experiência da migração e da falta de moradia. Jesus Cristo também foi um migrante”, disse. Ao falar da fuga da Sagrada Família para o Egito e da vida itinerante de Jesus, o sacerdote reforçou que o Filho de Deus se aproximou profundamente da dor daqueles que precisam partir.

“Seguir Jesus Cristo significa promover o cuidado, o respeito e, sobretudo, a misericórdia entre migrantes, refugiados e pessoas empobrecidas que ainda não possuem condições dignas de moradia”, afirmou.

Ao concluir, Pe. Rafael recordou as palavras de Jesus aos discípulos: “Não tenhais medo”. A partir dessa certeza, convidou a comunidade a permanecer sensível ao clamor de tantos irmãos e irmãs que buscam um lar, trabalho, segurança e futuro para suas famílias.

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