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Diocese de Santo André

Dom Pedro se reúne com corais e recorda que a música faz parte da liturgia

Integrantes do Coral Diocesano e do Coral Nossa Senhora do Carmo se reuniram com o bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, na tarde de sábado, 11 de julho, no auditório do Edifício-Sede Santo André Apóstolo. Durante a conversa, o bispo escutou os coralistas e lembrou que o canto não é um acréscimo à celebração: pertence à liturgia e existe para ajudar a assembleia a rezar.

Os dois grupos são conduzidos pelo maestro Diego Muniz. O Coral Diocesano acompanha as principais celebrações da Diocese, como ordenações e conferimento de ministérios. Já o Coral Nossa Senhora do Carmo canta nas celebrações solenes da Catedral, Igreja-Mãe da Diocese. Ao abrir o encontro, Diego lembrou que a última conversa dos coralistas com o bispo tinha acontecido durante a pandemia, ainda de maneira virtual, e que havia o desejo de retomar essa proximidade.

A reunião começou com a oração do Pai-Nosso. A partir dela, Dom Pedro apontou três dimensões da vida cristã: reconhecer Deus como Pai, aprender a partilhar o pão e cultivar o perdão. Para ele, não existe convivência verdadeira — na sociedade, na família ou dentro de um coral — sem a capacidade de compreender as fragilidades do outro. O bispo apresentou aquele momento como uma escuta própria de uma Igreja sinodal, na qual se caminha junto ouvindo uns aos outros, a Deus e a comunidade.

A escuta dos coralistas

Antes de apresentar sua reflexão, Dom Pedro convidou os integrantes a falar sobre o que significa exercer esse serviço na Igreja. Nos testemunhos, o canto apareceu como louvor, aprendizado e evangelização. Uma das coralistas contou que as músicas escolhidas pelo maestro ajudam o grupo a compreender melhor a Palavra de Deus, pelo peso que as letras têm dentro da liturgia.

Outros integrantes mencionaram a fraternidade construída entre os membros. Além dos ensaios e das celebrações, o grupo acompanha as alegrias e as dificuldades de cada pessoa, como na corrente de oração feita por um coralista que enfrentou um grave problema de saúde. Também foi lembrada a oportunidade de cantar em paróquias de diferentes cidades, o que ajuda a perceber a amplitude da Igreja Particular de Santo André.

Uma das profissionais que acompanha o trabalho vocal observou que, mesmo formado em sua maioria por leigos que conciliam os ensaios com o trabalho e a vida familiar, o grupo alcança uma sonoridade comparável à de conjuntos profissionais, resultado, segundo ela, de conhecimento musical, disciplina e dedicação.

“A música não é um enfeite”

Depois de ouvir os coralistas, Dom Pedro afirmou que a música não é um elemento decorativo acrescentado à celebração.

“A música na liturgia da nossa Igreja Católica não é um enfeite, não é algo a mais. Ela faz parte.”

Segundo o bispo, o canto litúrgico nasce da fé, do louvor e da ação de graças e, por isso, não pode se tornar exibição pessoal. Quem canta numa celebração não busca aplauso, mas conduz a comunidade ao encontro com Deus.

Dom Pedro apresentou ainda a voz humana como o primeiro e mais importante instrumento musical. Recordou uma celebração da tradição oriental da qual participou como seminarista, inteiramente cantada apenas com vozes. Os instrumentos, observou, colaboram com a liturgia, mas não devem encobrir a assembleia nem impedir que a Palavra seja compreendida. Para ele, a qualidade da música litúrgica na Diocese avançou nos últimos anos, fruto do trabalho conjunto da Pastoral Litúrgica, dos músicos, dos corais e das comunidades.

Ajudar o povo a rezar

O bispo relembrou uma das primeiras ordenações com a participação do Coral Diocesano. Ao final, várias pessoas comentaram que tinham conseguido rezar com mais profundidade.

“O coral ajuda muito o nosso povo a rezar.”

Ele comparou o grupo a uma orquestra, na qual nenhum instrumento é dispensável, mesmo o que entra por poucos segundos. Daí a ausência de espaço para competição ou disputa de vozes. Dom Pedro falou também da disciplina exigida pelo serviço — presença nos ensaios, estudo e atenção às orientações —, que não deve pesar, mas nascer do amor por aquilo que se faz.

Para ilustrar os frutos nem sempre visíveis desse trabalho, contou a história de um bispo que celebrou uma Missa numa igreja praticamente vazia. Anos depois, encontrou um sacerdote que lhe revelou ter descoberto a vocação naquela celebração: tinha entrado no templo para se abrigar e ouviu a homilia. Por isso, pediu que o canto seja feito com pureza de intenção e humildade, na consciência de que uma pessoa pode ser tocada por uma música sem que os coralistas jamais fiquem sabendo.

Um só corpo

Ao retomar a palavra, Diego Muniz agradeceu a mensagem do bispo e lembrou a responsabilidade catequética do músico litúrgico: as músicas não são escolhidas apenas pela beleza, mas porque ajudam a aprofundar o que a liturgia comunica em cada celebração.

“Somos muitos, mas somos um só corpo. A partir do momento em que um não está bem, o corpo não está bem.”

O Padre Guilherme Franco Octaviano, responsável pela Liturgia e pela Música Litúrgica na Diocese, também acompanhou o encontro. Ele mencionou que, durante muito tempo, os corais foram perdendo espaço nas comunidades.

“A presença do Coral Diocesano e também do coral da Catedral revive tudo isso e dá uma nova valorização.”

O sacerdote apontou ainda a necessidade de ampliar as formações destinadas aos músicos das paróquias, já que muitos agentes atuam sem formação litúrgica contínua. Como resposta, parte da Semana Diocesana de Liturgia será dedicada à música, com a participação do maestro Diego em uma das formações.

No fim da tarde, Dom Pedro agradeceu o empenho dos coralistas, a presença constante nos ensaios e a postura discreta durante as celebrações, sinal, para ele, da compreensão de que o centro da liturgia é Cristo.

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