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Diocese de Santo André

Retiro diocesano do Movimento da Cultura da Divina Misericórdia convida fiéis a viver o perdão

A Paróquia Bom Jesus de Piraporinha, em Diadema, acolheu, no dia 12 de setembro, o Retiro Diocesano do Movimento da Cultura da Divina Misericórdia. Ao longo do dia, oração, formação, silêncio, testemunhos e a Eucaristia ajudaram os participantes a aprofundar uma pergunta que atravessou todo o encontro: como fazer da misericórdia recebida de Deus uma experiência concreta na relação com o próximo?

O retiro começou diante do Santíssimo Sacramento, com a adoração conduzida pelo assessor diocesano do movimento, Pe. Gonise Portugal. Em clima de recolhimento, os participantes foram convidados a colocar a própria vida diante de Jesus Misericordioso e a recordar a espiritualidade transmitida por Santa Faustina Kowalska, marcada pelo abandono confiante no amor de Deus. Diante da Eucaristia, o primeiro chamado do dia foi justamente este: não apenas falar sobre misericórdia, mas permitir que ela alcance as feridas, os limites e aquilo que cada um traz no coração.

Na sequência, o bispo emérito Dom Nelson Westrupp conduziu a formação da manhã, tendo como fios condutores a misericórdia, a paz e a fraternidade. Logo no início, recordou que reconhecer a própria fragilidade é também abrir espaço para a graça.

“O Senhor jamais se cansa de perdoar. Jamais! Somos nós que nos cansamos de pedir perdão a Deus”, afirmou Dom Nelson, ao lembrar que a paciência de Deus não se mede pelos limites humanos. Para ele, o Coração de Jesus permanece sempre aberto e o perdão de Deus se manifesta com carinho, ternura e amor.

Ao longo da reflexão, o bispo emérito convidou os presentes a olhar para a própria história e reconhecer o espaço que a misericórdia ocupa na vida cotidiana. Em uma das perguntas dirigidas aos participantes, provocou: “Que lugar e que significado tem a misericórdia no meu coração, na minha vida, na minha história pessoal?”.

Dom Nelson também recordou as obras de misericórdia corporais e espirituais e insistiu que a experiência com Deus precisa ganhar forma na maneira como o cristão olha para quem sofre, perdoa, acolhe, aconselha e se aproxima de quem necessita. “A misericórdia é a carteira de identidade do nosso Deus”, resumiu, ao apresentar a misericórdia como atitude divina de acolhimento e proximidade.

Ao final da formação, todos seguiram para o salão paroquial para o café. O momento ganhou um significado ainda mais fraterno com a homenagem a Dom Nelson, que havia celebrado seu aniversário natalício no dia anterior. Reunidos ao redor do bispo emérito, os participantes cantaram parabéns e celebraram sua vida e presença junto ao movimento.

A manhã continuou com o momento de deserto. No silêncio, cada pessoa foi convidada a rezar e refletir a partir da Oração de São Francisco, deixando que o pedido para levar amor onde houver ódio, perdão onde houver ofensa e esperança onde houver desespero encontrasse lugar na própria vida. A oração foi apresentada como mais do que um texto conhecido, mas como um projeto de vida cristã capaz de transformar a misericórdia em atitudes concretas.

Depois do almoço, chegou a hora da partilha. Os testemunhos mostraram que a misericórdia também se torna compreensível quando ganha nomes, histórias, lágrimas e experiências vividas.

Uma das participantes, ligada ao movimento desde seus primeiros anos na Diocese, contou como a oração e a confiança em Jesus Misericordioso a sustentaram durante uma difícil situação familiar. Foram quatro anos de espera até que a resposta chegasse. Nesse tempo, encontrou no Diário de Santa Faustina forças para permanecer firme. “Pedir, confiar, orar e esperar”, resumiu ao recordar o caminho percorrido. Ao final, testemunhou que, mesmo quando não consegue estar presencialmente com o grupo, continua unida ao movimento pela oração diária do Terço da Misericórdia.

Antônia, da Paróquia Sagrada Família, partilhou sua experiência diante de uma grave limitação física. Depois de uma cirurgia na coluna e de um prognóstico que colocava em dúvida sua capacidade de voltar a andar, contou aos participantes a alegria de hoje permanecer de pé e caminhar, ainda dentro de suas limitações, atribuindo sua recuperação à misericórdia de Deus.

Outro testemunho que marcou a tarde foi o de Ana Paula, da Paróquia Santa Rita de Cássia. Ela falou sobre as perdas que atravessaram sua história e sobre os períodos em que enfrentou uma depressão profunda. Ao compartilhar sua experiência, fez um pedido aos presentes: que pessoas em sofrimento psíquico não sejam julgadas.

“Depressão não é falta de fé, não é falta de Deus. É uma doença que precisa de cuidado”, afirmou. Ao recordar os momentos mais difíceis e a experiência de fé que encontrou em Jesus Misericordioso, acrescentou: “Eu estou aqui pela misericórdia de Jesus”.

A coordenadora diocesana do Movimento da Cultura da Divina Misericórdia, Maria Ivanilde, acompanhou o retiro junto aos membros das diferentes foranias. Na parte da tarde, as foranias participaram também da condução dos mistérios do Terço da Misericórdia, unindo as diferentes partes da Diocese em uma mesma súplica. A oração retomou aquilo que vinha sendo vivido desde as primeiras horas do dia: acolher a misericórdia de Deus para aprender a oferecê-la também aos irmãos.

O retiro foi concluído com a Santa Missa, presidida por Pe. Gonise Portugal. Em sua homilia, o assessor retomou o chamado ao perdão presente na Palavra de Deus e relacionou a liturgia com tudo aquilo que havia sido rezado e refletido durante o dia.

Ao falar sobre misericórdia, paz e fraternidade, Pe. Gonise lembrou que essas realidades não podem permanecer distantes da vida concreta. Para ele, o cristão é chamado a configurar a própria vida ao Cristo que encontra na Palavra e recebe na Eucaristia. “Somos todos irmãos e irmãs e somos cuidadores uns dos outros”, afirmou.

Ao comentar a pergunta de Pedro sobre quantas vezes deveria perdoar o irmão, o sacerdote explicou que a resposta de Jesus rompe com qualquer tentativa de estabelecer limites para o perdão.

“Cristo não nos pede para fazer contas, mas sim para perdoar sempre”, explicou. Segundo Pe. Gonise, o perdão quebra o ciclo do rancor e introduz o cristão na lógica do amor de Deus: “Deus nos perdoa sempre. Nós é que colocamos limite ao perdão”.

Um dos momentos mais fortes da homilia veio quando o assessor falou sobre a dificuldade humana de perdoar. “Ninguém nasce sabendo perdoar. Nós aprendemos a perdoar”, afirmou. E apresentou onde esse aprendizado acontece: “Qual é a escola do perdão e da misericórdia? É o Crucificado. Não tem outra escola”.

Pe. Gonise também explicou que perdoar não significa apagar aquilo que aconteceu ou fingir que a dor não existiu. “Perdão não é esquecer. Perdão é lembrar sem rancor”, disse, lembrando que esse caminho exige tempo, decisão e abertura à graça de Deus.

Depois de um dia inteiro diante do Santíssimo, da Palavra, do silêncio e de tantas histórias partilhadas, a celebração eucarística reuniu tudo aquilo que havia sido vivido. Da acolhida da misericórdia ao esforço de oferecê-la ao outro, o retiro terminou com a oração que expressa a confiança presente na espiritualidade do movimento e que Pe. Gonise também retomou ao concluir sua homilia: “Jesus Misericordioso, eu confio em Vós”.

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