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Diocese de Santo André

Que opção é esta?

A Pastoral da Criança é um tesouro da Igreja do Brasil que está sendo compartilhado com todas as pessoas necessitadas de ajuda, sem distinção. Digo que é da Igreja porque nasceu de pessoas de fé que faziam questão de serem membros da Igreja como a fundadora Dra. Zilda Arns, leiga mãe de família e membro da Ordem Terceira de S. Francisco de Assis professa na Comunidade da Paróquia Bom Jesus em Curitiba.

Foi São Francisco certamente que inspirou em seu coração o amor pelos pobres que ela desde jovenzinha desejava ajudar. Encaminhando-se para estudar medicina em uma época em que não era comum as mulheres se formarem nesta área, seu objetivo era “cuidar” dos doentes e em especial dos mais pobres.

A opção pelos pobres que a Igreja latino-americana faria de forma solene nas Conferências episcopais de Madellin e Puebla já estava no coração e na intenção dos fiéis cristãos da Igreja Católica. Prova disso foi a atuação da Dra. Zilda que, como profissional da saúde contratada pelo governo do Estado do Paraná, usou toda sua criatividade para inovar o atendimento aos pobres.

Foi assim, que este amor aos pobres, bebido da fonte franciscana, a qual leva a imitar unicamente a Jesus manso e pobre, servidor dos pobres, cresceu e se propagou desde o surgimento da “Pastoral da Criança”. Esta é iniciativa que mostra a face misericordiosa de Jesus que se debruça sobre o ser humano caído à margem.

Jesus veio para evangelizar os pobres (cf. Lc 4), ele começa pelos pobres para poder chegar a todos. Por que a opção de Jesus pelos pobres? Jesus olha primeiro o sofrimento da pessoa, suas dores e amarguras. Então, movido de misericórdia Jesus quer acolher e curar, transmitir a vida. Ele veio para que todos tenham vida e vida plena (cf. Jo 10, 10). Somente depois de misericordiosamente se debruçar sobre o sofrimento do outro é que Jesus fala de pecado: “Vai e não peques mais”.

A pastoral da Criança imita Jesus, debruçando-se sobre o sofrimento dos pobres e dos mais pobres entre os pobres as crianças que não sabem protestar nem se defender.

Há muita incompreensão em relação à ação social da Igreja que no fundo é uma ação desenvolvida em nome da caridade pastoral. É a opção pelos pobres que Jesus fez e que o papa Bento XVI em Aparecida diz que é imprescindível, que é cristológica, ou seja, faz parte da ação de Jesus.

É esta opção que inquieta a muitos e os faz estranhar a Igreja quando a pratica. Porém é preciso permanecer no amor de Cristo, permanecer na sua palavra, permanecer na opção pelos pobres e entre eles as crianças, as quais esperam de Deus seu socorro através de nós, da Pastoral da Criança que abençôo de coração e que tanto bem faz a todos, em especial em nossa querida Diocese de Santo André.

 

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal Diário do Grande Abc

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