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Diocese de Santo André

Conselho Feminino Diocesano promove escuta e reflexão sobre violência contra a mulher

Escutar, acolher e reconhecer os sinais de violência para que nenhuma mulher enfrente sozinha uma situação de sofrimento. Com esse propósito, o Conselho Feminino da Diocese de Santo André realizou, no dia 19 de setembro, sua primeira Roda de Conversa sobre o enfrentamento à violência contra a mulher e o papel da Igreja.

Conduzido por Maria Carolina, integrante da Comissão, o encontro reuniu Maria Aparecida de Souza, assistente social e pesquisadora; Daine Piarete, psicóloga e neuropsicóloga; Andrea Dayane Almeida Belo, advogada e voluntária da Fazenda da Esperança; e Eurico de Marcos Jardim, facilitador de grupos reflexivos com homens responsabilizados pela Lei Maria da Penha.

Na abertura, foi apresentada uma mensagem de Dom Pedro Carlos Cipollini, que não pôde participar presencialmente por estar em outro compromisso diocesano. No texto, o bispo recordou que “a mulher precisa ocupar mais espaço na sociedade e, em especial, na política” e também nos lugares onde são tomadas decisões importantes, inclusive na Igreja.

Maria Aparecida apresentou dados de sua pesquisa com mulheres sobreviventes de tentativas de feminicídio e chamou a atenção para o papel das comunidades religiosas. Segundo ela, “a Igreja está presente onde o Estado não está. Ela chega primeiro”. Por isso, defendeu a formação de lideranças capazes de reconhecer sinais de violência e oferecer uma escuta acolhedora. Ao concluir, deixou um desejo: “que nenhuma mulher precise escolher entre a sua religião e a sua vida”.

Daine trouxe a experiência da psicologia e do Serviço de Escuta da Diocese. Ela explicou que a violência nem sempre começa de forma evidente e pode aparecer no controle, no isolamento, na humilhação e na perda de autonomia. “Muitas vezes o primeiro pedido de ajuda é apenas um pedido pra ser ouvida”, afirmou.

Andrea partilhou sua própria história marcada pela violência doméstica na infância e mostrou como essa experiência hoje atravessa sua atuação com pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao falar do trabalho desenvolvido na Fazenda da Esperança, na Obra Lumen e no Grupo Esperança Viva, reforçou que o cuidado cristão passa pelo encontro concreto com quem sofre, ajudando a pessoa a reencontrar forças para reconstruir a própria vida.

Eurico trouxe para a reflexão a necessidade de trabalhar também com os homens. A partir da experiência dos grupos reflexivos, afirmou: “Nós precisamos conversar com os homens”. Para ele, é necessário ajudá-los a reconhecer comportamentos violentos e rever modelos de relacionamento aprendidos ao longo da vida.

Após as exposições, os participantes se reuniram em grupos para pensar propostas concretas para as comunidades. Entre elas, apareceram a ampliação dos espaços de escuta, a abordagem do tema na catequese, Crisma, grupos de jovens, pastorais e homilias, além de maior participação das mulheres nos espaços de decisão da Igreja.

Pe. Ryan Holke encerrou a manhã afirmando que esteve ali, sobretudo, para escutar. “Não venho aqui para dar uma palavra final, mas para acolher as palavras que foram ditas e levar para frente”, afirmou. O sacerdote também reconheceu que ainda há muito a aprender e expressou o desejo de levar as reflexões ao clero diocesano.

A primeira Roda de Conversa terminou com o compromisso de continuidade. A proposta do Conselho Feminino é que novas iniciativas ampliem a escuta e ajudem paróquias e comunidades a transformar acolhimento, respeito e proteção em atitudes concretas.

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