No encerramento da 34ª edição nacional, pais comemoram aniversário dos trigêmeos, Pe. Jean Dickson cita “Francisco” e destaca a prática dos ensinamentos de Cristo para um mundo com mais amor e justiça

“Carregar a cruz é ser testemunha do filho único, carregar a cruz é amar, carregar a cruz é praticar a justiça, carregar a cruz é ajudar os pobres e abrir o seu coração ao estrangeiro, ao imigrante”. A declaração do assessor diocesano da Pastoral do Migrante, Pe. Jean Dickson Saint Claire, reforça a mensagem deixada pela 34ª Semana Nacional do Migrante na Diocese de Santo André, durante a missa de encerramento que ocorreu na manhã de domingo (23/06), na Igreja Matriz de Santo André, na Vila Assunção, bairro da cidade andreense.

Com o tema “Migração e Políticas Públicas” e o lema: “Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta é todo dia”, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2019, a celebração aprofundou a necessidade da acolhida e respeito aos imigrantes de diversos países e estados brasileiros.

Pe. Jean Dickson citou novamente a passagem do evangelho de Mateus (25:35) “Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me rece­bestes em casa” e o pensamento que o Papa Francisco destaca em sua missão: acolher, promover e proteger.

“Carregar a cruz sem Cristo não é nada. Carregar a cruz com Cristo é um projeto de vida. É amar e praticar a justiça. É fazer acontecer o Reino de Deus aos migrantes”, destaca.

*

Família “tri” feliz

Pais dos trigêmeos Rafael, Carolina e Miguel, o arquiteto Carlos Batista Bueno, 53 anos, e a professora Roseli Aparecida Cordeiro, 50 anos, não escondiam a felicidade na reta final da missa. É que os filhos foram homenageados após o rito da comunhão, já que completaram dez anos de vida. Todos cursam a 2ª fase da catequese e receberão a Primeira Comunhão no fim deste ano.

De acordo com o casal, que completará 23 anos de matrimônio em julho de 2019, a referência ao Sínodo Diocesano é essencial para as práticas da missão e acolhida aos povos que chegam ao Grande ABC.

“É importante ter esse acolhimento aos imigrantes, principalmente com relação aos sírios e venezuelanos, porque no fundo somos todos irmãos. Deve recebê-los bem”, frisa Carlos.

“Esse é o nosso papel. Acolher e ajudar no que for preciso. A nossa missão é ter solidariedade ao próximo e gratidão”, complementa Roseli.

*

Migração é fundamental

Assim como na abertura da Semana do Migrante, durante a procissão de entrada leigos e leigas empunhavam bandeiras de países representados por imigrantes que chegaram ao Grande ABC para trabalhar e permaneceram na região, além da imagem do bem-aventurado João Batista Scalabrini (1839-1905), considerado o pai dos migrantes.

Segundo o pároco da Igreja Matriz, a migração é um fenômeno fundamental da humanidade. “A migração é algo especial, faz parte da natureza humana. O migrante vai atrás de uma vida melhor, por causa da injustiça, da corrupção de governantes. Somos advogados de Deus na terra e Deus quer vida para todos. Por isso defendemos os migrantes. Eles vêm com seus problemas, com suas malas, mas com sua bagagem cultural, também. Na igreja não existe estrangeiros, mas sim irmãos”, enfatiza.