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Diocese de Santo André

Rumo à Páscoa com esperança

Escreveu um famoso escritor: “Somente quando de tudo desesperarmos é que a esperança começa a ser verdadeira força”. De fato, foi assim com os discípulos e discípulas de Jesus, após sua trágica morte na cruz. E assim será através dos séculos com todos os verdadeiros seguidores de Jesus. Isto porque existe na fé cristã o paradoxo da cruz. É pela cruz que vem a vitória, é passando pelo calvário que se chega à glória, é morrendo que se vive. Desta forma o cristianismo é fruto de um evento histórico no qual o vencedor antes é vencido, aliás, é no momento de sua derrota que ele vence: “morrendo destruiu a morte e deu-nos a vida”.

A Semana Santa é para nós momento solene e sublime no qual recordamos o Mistério Pascal. Mais que recordar, nós o celebramos com muito amor e carinho, traduzidos na preparação que inclui a confissão, as orações com seu ponto alto nas “24 horas para o Senhor”, e demais celebrações nas várias comunidades e paróquias de nossa Diocese de Santo André.

No Domingo de Ramos se faz a memória da entrada de Jesus em Jerusalém com a procissão de Ramos. Jesus entra na cidade aclamado como messias. Porém, logo se decepcionam com ele pois não é um messias político ou guerreiro, como a maioria esperava. Ele veio trazer a paz, o perdão que reconcilia, o amor que partilha a vida. Seu messianismo foi rejeitado e continua rejeitado através dos tempos, por todas as forças opressoras, com base no poder e na dominação. É o reino do pecado contraposto ao Reino de Deus que Jesus nos traz.

Na quinta-feira santa Jesus nos deixa o mandamento do amor, “amar como ele amou”. A Eucaristia que é presente, memorial deste amor capaz de dar a vida. Ele ensina que o amor verdadeiro se traduz em serviço. Na quinta-feira inicia-se o tríduo pascal.

Na sexta-feira santa recordamos Jesus que morre na cruz por nós. Este mistério é profundo e mais que todos, rejeitado pelo nosso mundo baseado na força da técnica, e no poder econômico que tudo subjuga. É na cruz que temos a salvação e a vida porque a cruz é o máximo sinal do amor, amor que é a morte da morte. No sábado santo a Igreja passa à beira do túmulo de Jesus, refletindo, meditando e rezando este acontecimento.

Na Vigília Pascal e no domingo de Páscoa a Igreja celebra a vitória do amor, a vitória da cruz: “Vitória tu reinarás, ó cruz tu nos salvarás”. Diante do crucificado ressuscitado se dobrem todos os joelhos. Ele se humilhou e obedeceu (ouviu voz do Pai e nela perseverou não levando em conta as consequências), até à morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou.

A festa da Páscoa renova nossa esperança para caminharmos de esperança em esperança, até o fim dos tempos. O dia de domingo é o dia que ilumina toda a semana, pois nele vivemos todo o mistério Pascal de Cristo e da Igreja. Cada Páscoa é um marco de renovação da comunidade que ouve o ressuscitado dizer: “Ide, vós sereis minhas testemunhas até os confins da terra”( Mc 16,15). FELIZ PÁSCOA!

*Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini, para o jornal A Boa Notícia

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